Site alemão DW publica reportagem sobre contaminação por chumbo em Santo Amaro há mais de 60 anos
Publicação destaca os impactos ambientais e os problemas de saúde enfrentados por moradores e ex-trabalhadores da antiga fábrica, além da luta por indenizações e reparação dos danos.
O site
alemão Deutsche Welle (DW) publicou, no dia 10 de outubro de 2026, uma
reportagem sobre a contaminação por chumbo no município de Santo Amaro, no
Recôncavo Baiano. Com o título “A cidade baiana contaminada por chumbo há
mais de 60 anos”, a publicação aborda os efeitos deixados pela antiga
indústria de processamento de chumbo e a luta das vítimas por reparação.
A
reportagem, assinada por Priscila Carvalho, apresenta relatos de
ex-trabalhadores e moradores que convivem com problemas de saúde associados à
exposição ao metal pesado. O conteúdo também destaca a permanência de resíduos
tóxicos no município, mesmo décadas após o encerramento das atividades
industriais.
A
Companhia Brasileira de Chumbo (Cobrac) começou a operar em Santo Amaro em 1960
e encerrou suas atividades em 1993. Durante esse período, a produção industrial
gerou grandes quantidades de resíduos contaminados com chumbo e cádmio. Parte
desse material foi utilizada em ruas e construções, ampliando os riscos de
exposição da população.
A
publicação também aborda a mobilização de antigos funcionários, pescadores,
marisqueiras e moradores que buscam indenizações e medidas para reparar os
danos ambientais e à saúde.
Segundo a
reportagem, em novembro de 2025, uma decisão da Justiça baiana reconheceu
direitos de diferentes grupos atingidos e estabeleceu medidas de reparação e
indenizações. A decisão, entretanto, foi alvo de recursos e permanece em fase
de apelação.
O caso de
Santo Amaro continua sendo um dos principais exemplos de passivo ambiental
associado à atividade industrial no Brasil, com consequências que atravessam
gerações e mantêm em evidência a necessidade de acompanhamento da saúde da
população e de soluções para as áreas contaminadas.
A
publicação da DW amplia a visibilidade internacional do problema enfrentado
pelo município baiano, chamando a atenção para uma situação que permanece sem
solução definitiva após mais de seis décadas.







